História do biquíni: conheça essa invenção revolucionária

0 1.889

A Pajaris traz a revolucionária história do biquíni, considerada uma das invenções mais importantes da moda e uma marco na história do mundo. Fatos curiosos como sua revelação na década de 40 em Paris e o lifestyle praiano brasileiros, onde o traje se popularizou de verdade, vão ser contados aqui – mostrando que apesar dos 73 anos, essa peça icônica se mantém no auge.

A história do biquíni – primeiro capítulo

Modelo posa com 1º biquíni da história (Foto: reprodução)

Foi em 1946 que o engenheiro automotivo francês Louis Réard, que na época administrava a loja de lingerie da mãe, apresentou duas pequenas peças. Em Paris, ele proveu o traje ao “menor maiô do mundo”. Ao mesmo tempo e sem saber, o designer de moda Jacques Haim estava trabalhando num design semelhante.

Réard chamou sua invenção de biquíni por causa dos testes nucleares no atol de Bikini. Ele pensou que todos ficariam chocados com a exibição ousada de curvas e umbigos; ele estava certo. Durante muitos anos, o biquíni causou mais surpresa que qualquer um dos testes nucleares feitos pelos EUA e pela União Soviética. A invenção foi bélica e chegou a ser proibida em alguns países.

Com tanta polêmica, Reard teve dificuldades em achar uma modelo profissional que ousasse estrear a peça escandalosamente mínima. Ele então ele chamou Micheline Bernardini, uma dançarina do Cassino de Paris, que não tinha pudores em aparecer seminua em público. Em alusão às manchetes que ele sabia que conquistaria, Reard estampou as peças com notícias de jornal. O biquíni foi um sucesso imediato, especialmente entre os homens, e a jovem recebeu cerca de 50 mil cartas de fãs. Um divisor de águas.

Primeiras aparições do biquíni

Contudo, este não é o único registro do biquíni nessa época. Em Pompeia, também na Itália, arqueólogos descobriram várias estátuas da deusa Vênus vestida de biquíni. E apenas seiscentos anos antes disto, o filósofo grego Demócrito formulou a teoria atômica do cosmos, que explicava que nosso mundo era feito de pequenas partículas invisíveis em constante movimento.

No entanto, a primeira metade do século 20 viu uma rápida redução na quantidade de tecido necessário para ir à praia. Uma jornada polêmica, que incluiu a prisão da nadadora australiana Annette Kellerman em Boston em 1907. A atleta usou uma roupa de banho mais justa, e ainda que a cobrisse do pescoço aos dedos do pé, ela foi desaprovada. Vários anos mais tarde em 1913, o estilista Carl Jantzen introduziu um duas-peças composto por shorts e top justo, que também foi recebido com desconfiança.

A história do biquíni em terras tupiniquins

A peça virou moda no Brasil nos anos 50 (Foto: reprodução)

Com as conquistas femininas, a moda praia evoluiu e começou a ganhar a cara que conhecemos hoje. Nos anos 50, virou elemento sensual na publicidade, com as divas do cinema americano e as pin-ups. Em 1956, a Brigitte Bardot eternizou a peça, no filme “E Deus Criou a Mulher”, ao usar um modelo xadrez vichy. A final da década, por Carmem Verônica e Norma Tamar, que juntavam multidões nas areias em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Nos pudicos Estados Unidos, houve uma resistência bem-sucedida ao biquíni até o começo dos anos 1960, quando uma nova ênfase à liberação juvenil inundou as praias americanas com a peça. A criação foi imortalizada com a música “Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka-Dot Bikini” (“Biquíni de Bolinha Amarelinho”, na versão brasileira), com filmes de praia e com a cultura do surfe, celebrada por grupos de rock como os Beach Boys. Desde então, a popularidade do biquíni não parou mais de crescer e se tornou parte da história das praias cariocas.  .

Helô Pinheiro democratizou o uso do biquíni (Foto: reprodução)
Helô Pinheiro democratizou o uso do biquíni (Foto: reprodução)

O início de uma era

Nos anos 60, Helô Pinheiro democratizou de vez o uso do biquíni e desfilou os mais diferentes biquínis pelos calçadões cariocas. Jânio Quadros, ex-governador de São Paulo, é eleito para a presidência da República em 1960 e, durante seu curto mandato, proíbe o uso de maiôs em concursos de beleza e o uso de biquínis nas praias.

Ainda assim, a popularidade da peça continuaria a aumentar na década de 70, enquanto as peças ficavam menores. Tecidos como o crochê faziam sucesso, ao mesmo tempo que a indústria têxtil desenvolvia materiais preparados para a praia, a exemplo da lycra. Nesses anos também surgiu a tanga.

Foi em 1972 que uma pequena modificação numa peça causou euforia mundial: nessa década as brasileiras já usavam os biquínis um pouco menores, fugindo dos padrões europeus e americanos e muitas marcas cariocas de moda praia já estavam começando a criar seu estilo. Quando eles criaram um biquíni jeans, que não passava nem das coxas das clientes por ser muito apertado, e sem poder jogar fora toda a produção da peça, criou-se uma solução: cortar as laterais e amarrá-las ao gosto da cliente. Foi assim que o biquíni de lacinho nasceu, pronto para dominar a praia de Ipanema e inspirar o resto do mundo.

Leila Diniz exibindo sua gravidez no Rio (Foto: reprodução)
Leila Diniz exibindo sua gravidez no Rio (Foto: reprodução)

Revolução

Uma das aparições mais famosas nas areias tupiniquins foi da atriz Leila Diniz. Ela ostentou sua gravidez de oito meses na praia de Ipanema usando um biquíni. A imagem se tornou símbolo da liberação feminina dessa década.

Os anos 80 foram marcados pelas polainas, enquanto a história do biquíni apresenta o surgimento de modelos icônicas. Entre eles figuram o asa-delta e o de lacinho nas laterais, além do sutiã cortininha. E quando o biquíni já não podia ser menor, surgiu o imbatível fio dental.

Com o passar dos anos, a calcinha ficou ainda mais cavada, ganhou diferentes estampas, cortes menores. A atriz americana Jayne Mainsfeld foi uma das responsáveis por mostrar ao mundo o biquíni cavado. Os holofotes sob a peça foi fundamental para que a sociedade conservadora aceitasse a novidade de vez.

Made in Brazil

Com a chegada dos anos de 1990, a história do biquíni no Brasil se consolidou no mercado com um verdadeiro arsenal para o beachwear. Foi aí que surgiram as saídas de praia, sacolas coloridas, chinelos, óculos, chapéus, cangas e toalhas. Chegamos na metade da década, que apostou cada vez mais em tecnologia nos tecidos, nas estampas e nas modelagens, completando a história do biquíni.

Cores, estampas e modelagens dos biquínis brasileiros (Foto: reprodução)
Cores, estampas e modelagens dos biquínis brasileiros (Foto: reprodução)

Ao mesmo tempo, a moda de praia tornava-se ainda mais importante. Começava então a surgir mais tipos de vestuário e acessórios, como a saída de praia, as malas coloridas, os chinelos, óculos, chapéus e toalhas. Os modelos foram triplicando e com a ajuda da evolução tecnológica foram criados tecidos mais apropriados e de melhor qualidade para o banho no mar e na piscina. O Brasil se torna o país que mais produz e consome biquínis.

Por consequência, a história do biquíni contém a busca pelo lifestyle de cada marca e o que elas estão produzindo vão além das praias – que acompanham seus clientes em várias ocasiões – é a cara da moda de hoje. Os tempos continuam favoráveis para o biquíni, com inúmeras marcas de swimwear surgindo nos últimos anos – como a Pajaris, recheada de opções (veja em www.pajaris.com.br).

Para a nova década, o biquíni viveu anos (ou quase uma vida toda?) de muita estampa. Flores, folhas, coqueiros, abacaxis, cores acesas… Até que a tendência minimalista chegou nas areias brasileiras. Hit das praias da Europa, o visual clean, com cores lisas, shapes maiores e linhas retas, é tudo o que mais queremos usar agora.

História do biquíni e um mercado consolidado

"<yoastmark

O biquíni revolucionou o mundo, mas o Brasil revolucionou o biquíni. A intimidade brasileira com a praia de vido ao clima tropical e extensão do litoral – que tem mais de 7 mil km -, podem explicar o motivo pelo qual o Brasil é o país lançador mundial de tendências desse segmento:

Com isso, além de ser o que mais fabrica e consome o beachwear, é também o que despontou em tecnologia e modelagem ao longo dos anos. É toda essa originalidade que o diferencia dos outros fabricados em outros países.

o sucesso do beachwear tem a ver com a intimidade brasileira com a praia
Modelagem brasileira ganhou o mundo (Foto: Pajaris)

Para a estilista Camila Panades, fundadora da marca Pajaris, o sucesso do beachwear tem a ver com a intimidade brasileira com a praia. “O biquíni não foi uma criação nossa, mas foi, sem dúvidas, aqui no Brasil que a moda praia se desenvolveu, devido à sensualidade da mulher brasileira e de toda nossa cultura de praia”, explica.

“O biquíni brasileiro é conhecido e reconhecido internacionalmente, seja por seu estilo mais ousado, por sua qualidade ou mesmo pela criatividade dos modelos, que o diferencia dos outros fabricados em outros países”, completa.

Mais importante, é que com o advento da tecnologia foram criados tecidos mais apropriados e de melhor qualidade para o banho no mar e na piscina. O Brasil é o país que mais produz e consome moda praia. O biquíni made in Brazil é reconhecido internacionalmente, pelo seu estilo mais ousado, qualidade e criatividade.

A trajetória do biquíni em praias gringas

Fio dental é a identidade da moda praia brasileira (Foto: Pajaris)
Fio dental é a identidade da moda praia brasileira (Foto: Pajaris)

Apostando no comércio online, a Pajaris já começou a abraçar as praias dos Estados Unidos e é hit com seu “Brazilian style”, levando muita diversidade de modelos e uma vasta oferta de peças. As compras internacionais são pelo site www.pajaris.us. “Damos certo porque nossa praia não é um trabalho só de estilista. Ele é dos brasileiros também”, diz.

O maiô também tem história

Primeiros trajes de banho (Foto: reprodução)

Estamos suando só de olhar o traje de banho típico do 945 do século 19 e início do 20, com corpo coberto, touca, sapatilhas e muito pano. Uma curiosidade é que o tecido, inclusive, não podia ser leve para não ficar transparente na água. Para ter ideia do rigor da época, uma versão mais ousada, sem mangas, levou a nadadora australiana Annette Kellerman para a cadeia, em 1907, por indecência.

Com as conquistas femininas, a moda praia evoluiu entre as décadas de 20 e 30. O maiô ficou mais justo, encurtou e começou a ganhar a cara que conhecemos hoje. O modelo de bojo e cetim fez sucesso com as divas Marilyn e Liz Taylor e cia. Desde 1960 o biquíni já bombava, mas Farrah Fawcett apostou em um maiô para divulgar a série Charlie’s Angels em 1976. Como resultado, o pôster foi um dos mais vendidos de todos os tempos.

Quando o assunto é maiô, é impossível não citar Pamela Anderson. Cabelos platinados, seios fartos e virilha à mostra em Baywatch, seriado sobre salva-vidas de L.A., que foi ao ar de 1989 a 1999.

Neste período o biquíni reinou e o maiô era coisa de quem queria esconder as gordurinhas  ou de popstar, como Beyoncé, Katy Perry, Rihanna… Um modelo inesquecível é esse recortado que Lady Gaga usou no clipe de Poker Face.

Maiô ganhou nova modelagem (Foto: Pajaris)

Ele voltou! O maiô está na areia e também no feed das famosas fazendo sucesso, e a marquinha já não faz tanta diferença assim. Os mais curtidos são cavados, recortados e decotados. O melhor é que eles saem da praia e formam dupla com saia, short e calça na cidade. Você também pode revolucionar.